Da série de textos legais (ou não) absolutamente desimportantes e sem um desfecho razoável que a Lis escreve:
Não, não estamos falando somente de alcoólatras no bar até de manhã enchendo o saco do garçom. Não nos referimos apenas à playboyzada infame que gasta a mesada que o papai dá comprando maconha. Tampouco falo só daqueles que vendem tudo dentro de casa pra comprar mais heroína. Não me refiro só aos que fumam 3 maços de Holywood por dia. Meu foco também não é somente dirigido a quem gasta a fortuna da família apostando nos cavalos ou jogando pôquer. Consumidores compulsivos de café ou Coca-Cola, também não são os únicos em minha mira.
Isso, o texto não é sobre nenhum viciado específico. É sobre o vício, em si.
Quero falar daqueles que conhecem a cor o cheiro e a textura de uma nota de 100 e não medem esforços pra conseguir várias delas, viciados em dinheiro. Daqueles que se viciam em amor, a mais nociva droga da humanidade, e sempre acabam no chão, rastejando convulsivos, implorando por mais uma dose. Daqueles que saem de casa todas as noites em busca de sexo, e não se preocupa em verificar com quem o faz. Dos que não conseguem parar de trabalhar, ditos workaholic’s.
Também aqueles que gastam 15 reais por dia comprando Halls de maçã verde, ou Trident de canela. Ou devoram um quilo de chocolate ao leite em questão de minutos. Aqueles que mordem seus lápis, compulsivos, até que estes se inutilizem, ou comem suas próprias unhas nervosamente até o menesco.
Vícios, vícios... São todos iguais, falo sério: Agulhas, unhas, amor... De alguma forma o que você quer é aliviar sua tensão. Todos vão tão a fundo quanto podem pra manter seus vícios, e em grande parte das vezes essa dominação do vício sobre o individuo traz resultados catastróficos: Contas bancárias zeradas, corações mutilados, unhas de 3 milímetros.
Também pode-se viciar na raiva, culpa, medo. Porque quando você se sente morto por dentro, até as sensações ruins servem pra te mostrar que de uma forma ou de outra, você está vivo. Inegavelmente vivo. Você corta seus braços pra ter certeza de que ainda sangra.
Por trás de um vício, sempre há uma dor. Alguma necessidade que ficou pendente. Um vazio qualquer que deixou de ser preenchida em determinado momento e pronto: aquilo é a raiz de algo sem dimensões.
Você sabe que a sua droga te faz mal. Mas quando você não tem nada pra sanar a sua dor, quando não há qualquer linimento ou alívio... Você simplesmente não se importa. E você só vai se livrar do seu vício quando conseguir se livrar da sua dor.Porém, não importam as drogas em que você se vicie, elas não trazem as respostas. Apenas adiam o momento em que você terá que responder as perguntas. O que não é, de fato, uma vantagem, se considerarmos que essas perguntas apenas se tornarão mais complicadas com o tempo.
É. Fim.
:**,
Lis.
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3 comentários:
Acho eu que na vida você sempre terá perguntas a serem respondidas, umas mais capiciosas e outras menos, vicíos, até os mais santos devem o ter.
Muito bom ler esse texto.
Sem mais.
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