domingo, 20 de julho de 2008

diálogos da maternidade.

Eu geralmente passo muito tempo fora de casa, seja estudando, seja fazendo merda em geral. Acabo não conversando muito com a minha família. Tô de férias, aproveitando pra ficar de vagabundagem em casa e tive um diálogo feliz com a mamãe hoje. É simples, não é engraçado, mas existe um 'quê' de mãe-filha, de alegria familiar... Sei lá, foi algo que me deixou bem. Em ocasiões normais, dividiria esse momento com minha agenda-diário, mas como a esqueci na casa do papai... enjoy it. :]

- Eu não suporto fazer suco: Uma parte de suco, duas de água, bota açúcar, mexe... Acho isso tão chato, tão enfadonho!
- Ah, eu não ligo de fazer, não... Mas o meu suco nunca dá certo. Nas minhas reuniões com o ACAF ele sempre vem logo dizendo: “deixa que eu faço o suco!”... Aliás, eu já te levei nos lugares que eu mais freqüento com ele, né?
- Reserva União e Ilha Grande?
- É...
- Já sim... Puxa mãe, você anda nuns lugares assim, tão baixo nível!
- É, menina, feios, chatos, mal freqüentados... A decadência total foi aquele tal de Pantanal.
- Ah, é mesmo... Sai do computador!
- Mas você tava lá longe!
- Mas você tinha dito que era pra eu olhar esse site escolher a próxima cor do meu cabelo!
- Ah... É, né?
- Pára de gritar ou fecha a porta desse quarto!
[Vovó fecha a porta antes que pudéssemos pensar sobre o caso. Mamãe prossegue, ignorando a interrupção]
- Puxa, Laís, você traduziu bem o Likert pra quem nunca fez inglês...

[Nota: a dissertação de mestrado da mamãe tem pesquisas que utilizam um método desse tal Likert. E deram um livro de 800 páginas em Inglês pra mamãe saber lidar com o Likert]
- Mas eu já fiz, mãe...
- Ah, fez? Quando?
- O Wizard, não lembra? Tudo bem que eram seis anos de curso e eu só fiz um ano e meio... Mas eu fiz.
- É, mas isso faz tanto tempo... E tira isso aqui da cama, que pano de prato molhado não dá pra cobrir ninguém. E não ri desse jeito, que vai cuspir o suco e estragar outro teclado! Quer o edredom gordo, o edredom magro ou a colcha azul?
- O edredom gordo.
[Mamãe sai do quarto, conversa um pouco com a vovó e volta]
- Laís, deixa eu te avisar... A descarga tá jogando água fora e eu fechei a água do banheiro lá no registro... Ah, e vai lavar a louça lá... Ah, e outra coisa... Hoje eu senti vontade de quebrar seu celular, jogar pela janela e espatifar ele todinho... Portanto, dê um jeito de ele não tocar amanhã às seis da manhã e me matar do coração!
- Mais devagar que eu tô anotando, mãe!
- Anotando o que eu falo?
- O nosso diálogo...
- Não tem mais nada pra fazer?
- Peraí, se não eu me perco!
- Isso aqui é pra você se cobrir. [Me entregando o pano de prato] Ah... Lá em Jacarepaguá tem brinquedo velho seu pra dar pra outra criança?
- Não, meu pai já deu tudo.

[Mamãe deita na cama pra ler o Likert. Lembra que não sabe inglês e vai procurar o dicionário. 10 minutos depois...]
- Fui lá procurar o dicionário de inglês, achei e foi a pior coisa que eu fiz... Não sei mais onde tá!
- Como assim, mãe?
- É, não sei onde botei...

[Lis pensa: A esclerose é genética. Eu realmente tenho a quem puxar...]
[Mamãe prossegue a busca]
- Ih! Aqui o que eu achei: Sua irmã escondeu essa batata chips no meio desse bololô de roupa dela pra ninguém pegar!
- Ah, eu não queria, não... Mas já que ela escondeu, dá aqui um pouco.
- Laís, não esquece da louça... Acho que eu me enganei.
- Se enganou por quê?
- Pensei que tinha achado o dicionário, mas não achei não... Você inda ta escrevendo isso?
- Tô...
- Vai virar livro?
- Não, provavelmente vira post...
- Depois você junta todos os seus posts e faz um livro.
- É, pode ser... Mas quem ia comprar?
- Ué... Pessoas... Eu não sei que história você ia contar nele! Se ficar engraçado, ele fica conhecido e você vai parar no Jô... Eu não sei como é que se lança um livro... Se você se interessar, a gente procura saber...
- Uma editora tem que me querer, mãe...
- Ah, melhor você não escrever um livro, não... Ou então imprime meia dúzia de exemplares e dá pros seus parentes e amigos mais próximos, aí pronto: escreveu um livro. Mas acho que isso sai muito caro...
- É uma boa, mãe...
- Ah, chega com isso logo, que eu tô inibida de conversar com você anotando!

- Ok, mãe. Meu post acaba aqui.

Acabou pra ela, acaba pra vocês também. Mamães nem sempre são tanques de guerra, - só em alguns casos, em que o que eu tô dizendo fica invalidado - são boas pessoas que não sabem fazer suco, nem falar inglês e esquecem onde deixaram o dicionário. Tá com cara de post-de-dia-das-mães, mas eu realmente não tô preocupada com isso.

Enfim, é isso
Bisous,
Lis. :D

2 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Entravix disse...

conversas simples são as melhores.
likert é chato