segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Vulnerabilidade.

- Oi, querida!
- Ahn... oi...
- Nossa, quanto tempo! Olha como você ta bonita! Emagreceu aí pelo menos uns 5 kg, hein?! Só esse olhar que ta meio abatido, você parece cansada! Tem trabalhado muito?
- Semana de entregar relatórios, você sabe...
- Ah, mas procure descansar! Você sabe o quanto essa rotina de stress te faz mal! Você vai acabar descontando na bebida e vai chegar em casa vomitando, como quando estávamos juntos! E dessa vez, quem vai estar lá pra cuidar de você, hein?
- Ah, eu... eu parei de beber...
- Não brinca?! Que notícia maravilhosa, o pessoal vai adorar saber! Aah, danadinha, por isso que ta gostosa desse jeito, né?
- Pára, não fala assim... você só me chamava de gostosa nos nossos momentos íntimos...
- Bom, isso é fácil de resolver. Que tal fazermos desse aqui um momento íntimo?
- Desculpa, acho que eu entendi errado. O que você disse?
- É, que tal? Vamos fazer desse reencontro um momento íntimo!
- Pára com isso, é maldade comigo! Você sabe que a minha vontade é te jogar agora em cima dessa mesa e recuperar todo o tempo que nós estivemos separados! E já são dois anos e meio! Você ta casado, e eu tenho a minha vida, então, não faz assim comigo!
- Aah, isso é bobagem. Olha só, vou fazer esse momento ser íntimo te contando um segredo, algo que você sempre quis saber! Que tal?
- Eu devo estar louca, essa abstinência de álcool tá me fazendo mal... mas tá, vai logo.
- Eu te traí.
- ...
- Pronto, viu que simples?
- . . .
- Querida?
- Que PORRA é essa?
- Iiih, que que foi? Lembre-se que nós acabamos porque você me traiu, hein, gostosa!
- Quando foi isso?
- Nosso segundo ano de namoro, quando eu tive aquela viagem a trabalho pra Natal, lembra? Então, me puseram no mesmo andar que aquela secretária gostosa do Marcelo. Fui pegar uns documentos no quarto dela e acabamos indo pra cama, só isso. Mas não rolou sentimento, nem nada, foi só sexo.
- Deixa eu ver se eu entendi... você diz que não me ama mais e eu te traio. É um absurdo. Você come a secretária boazuda e vem me falar isso como se fosse a coisa mais evidente do mundo?
- Ela me agarrou! O que eu deveria ter feito?
- Me contado! Foda-se tudo, você sabe que eu sempre te dei tanta liberdade quanto você quis, só pedi sinceridade em troca e você me apunhalou!
- Pára de ser quadrada! Você foi pra cama com meu melhor amigo e eu superei! Olha como eu tô super bem com a Bia!
- Eu NUNCA escondi nada de você! Nos últimos 3 meses do nosso relacionamento você tava maluco! Dizia que não gostava mais de mim, que queria terminar mas tava com medo de eu entrar em coma alcoólico e não ter ninguém pra ajudar e...
- Mas você já tinha entrado, duas vezes. E por favor, foi só uma trepada, sem nenhum sentimento...
- CALA A BOCA QUE EU TÔ FALANDO! E ah, você não sabia se queria ficar comigo! Você começou a repensar quatro anos de relacionamento! A minha mãe te detestava, e eu parei de falar com metade da minha família por tua causa, toquei o foda-se mesmo! Você teve que mudar de trabalho pra gente ficar junto! Você começou a repensar todo o sacrifício que a gente fez pra estar um do lado do outro! Você foi um merda e eu lá do seu lado dizendo que ia ficar tudo bem! E você me mandava parar de ser repetitiva! Você tem idéia do que aquilo fez comigo? Você quase me matou! Até que um dia, num porre, eu trepo com teu amigo e sou a vilã da história toda, enquanto você pode comer a secretária que num tem problema, é isso mesmo?
- Eu nunca disse isso. 50% da culpa é minha, oras!
- Ah, que gracinha você... pega teus 50% e enfia no cu, vai embora da minha casa agora!
- Poxa, mas não vai nem ouvir a proposta que eu vim te fazer?
- Que proposta, infeliz?
- Sexo casual... a Bia não faz anal e...
- FORA DAQUI!

Ela bate a porta na cara dele. Ela se tranca, pega a garrafa de whisky do armário – ela sabia que ia precisar – e volta a beber. E bebe a garrafa toda. Ele vai pra casa e chega a tempo de assistir o jornal com a esposa – linda, olhos claros, como seu único filho. Uma semana depois, ele recebe a notícia da morte dela, depois de vários dias em coma alcoólico. Vai ao enterro, se emociona e chora. Diz que vai sentir falta dela. E chega em casa a tempo de assistir o jornal com a esposa.

Não existe certo, não existe errado. Existem os vulneráveis. Vós, que paris em leitos confortáveis e julgai divino o fruto de vosso ventre, lembrem-se do quanto sois frágeis. Lembrem-se de vossa VULNERABILIDADE.

beijos,
Lis.

2 comentários:

Pretto disse...

nossa, menina, que texto trash! Mas gostei, bem bacana!
Muitos filmes e livros em comum, vou visitar mais teu blog.
Beijos
Pretto

Gabizinha Avila disse...

Eu to me sentindo essa mulher ai!

Sou tão ou muito mais vulneravel que ela! E sempre, sempre aparecem uns filhos da puta pra estragar mais ainda nossa vida! Pior é quando eles voltam com a cara mais lavada do mundo e querendo se fazer de bonzinhos. Ah, que simpáticos!

Merda!