sábado, 7 de março de 2009

aaah, Kreutzer!

são exatamente 4:30 da manhã enquanto eu começo a escrever isso, então acho que o post deve iniciar com um 'bom dia, amiguinhos'. o blog, apesar de estar a quase dois meses parado não foi abandonado. eu, Lis, estou aqui, cheia de vida e vontade de falar. o fato é que eu sou a única, nesse horário: ninguém tá mais a fim de ouvir nada. a saída? escrever, oras.

há algumas semanas eu tive a oportunidade de ver o explêndido "Minha Amada Imortal", que munido de uma proporção extra-absurda de emoção, fala sobre a vida do gênio Ludwig Van Beethoven e arranca lágrimas de adolescendes deprevinidas, tais como eu.
antes do filme, já conhecia a fantástica "Sonata a Kreutzer", mas depois dele iniciei um caso de amor com a tal sonata, me deleito ouvindo-a seguidamente, e deixei repetindo enquanto escrevo, inclusive.
a cena que me tocou e me fez gostar tanto de algo que eu já conhecia foi a seguinte: a bela música sendo executava por um pianista e um violinista e o personagem do secretário de Beethoven (cujo nome não me ocorre no momento) que ainda não conhecia o maestro pessoalmente assiste, extasiado. é quando chega o gênio, brilhantemente interpretado pelo divino Gary Oldman. não me lembro por quê, explica a sonata, mais ou menos com estas palavras: "um homem é deixado por sua amada. sua carruagem atola na lama e ele fica preso por uma noite em meio a uma tempestade e quando finalmente chega ao hotel onde os dois se encontrariam ela já não está lá. esse é seu grito de aflição."
chorei na cena, até achar que chegava perto de desidratar. e depois continuei chorando. não adianta, me chamem de idiota, mas arte mexe demais comigo. outras pessoas a quem eu indiquei filme não viram tanta graça assim. eu simplesmente achei LINDO, ué. acontece.
mas enfim, depois do filme comecei a me questionar... eu já me envolvi com diversas formas de manifestação artística. sou apaixonada por teatro, que fiz por dois anos e meio, praticante ocasional de fotografia artística ambiental e urbana, canto em um coral (embora saiba que realmente, essa não é a minha melhor forma de expressão. é apenas a que cabe no meu horário...), me atrevo a escrever de forma amadora, mas apaixonada, por vezes publicando aqui, e até desenho, de forma mais amadora ainda. talvez tenha mais coisa nessa lista, que eu não esteja lembrando. mas será que alguma vez, fazendo alguma dessas coisas, em um lapso de genialidade, eu consegui passar a alguém uma pequena parcela da emoção que essa sonata agora causa em mim?
bem, acho que a resposta é simples: claro que não. não consigo sequer me arriscar a dizer que alguém já o tenha feito. isso é talento nato, pra deixar qualquer artista de boteco como eu, babando, absolutamente fascinado. isso é arte que estimula cada célula do corpo. chega a doer de tão bonito.
mas apesar de eu saber que eu e minhas dúvidas nunca vamos nem chegar a sonhar com isso, acho que eu me dou por satisfeita em viver eternamente tentando produzir algo bom. em bom subentenda-se: algo que transmita emoção assim, purinha.
e se esse post servir pra alguém se interessar em ouvir a sonata ou ver o filme, a minha sensação será: dever cumprido.

post encerrado, gostaria de fazer alguns adendos. coisas que talvez ninguém queira saber, mas aí é só pular essa parte.
hoje é dia 7 de março. amanhã eu completo meus medíocres 16 anos. segunda feira as aulas voltam e eu não vou mais ter tempo de postar, por um motivo muito simples: ano de vestibular e eu quero estar na USP ano que vem. as aulas me ocuparão de 13h às 18h, mais uma hora e meia pra ir e outra pra voltar da escola, mais algumas aulas de manhã do técnico, mais todos os aprofundamentos a que eu puder assistir de manhã mais o pré-vestibular até às 22h, mais todo o tempo que eu tiver livre me dedicando a estudar em casa, ou ler revistas e jornais pra me manter informada sobre tudo que estiver acontecendo pra poder gabaritar minha redação, posto que eu corro o risco de quase zerar a parte de exatas. exatas das quais eu não entendo nada, mais conheço o princípio físico básico de que eu não posso estar lá e aqui ao mesmo tempo. aí é uma questão de prioridades, sabe? portanto esse é um post despedida: eu não tenho a mínima ideia de quando poderei estar aqui de novo. espero que alguém sinta falta de ler o que escrevo, mas duvido muito que ocorra.
a Larissa e a Deborah também estarão dignamente ocupadas estudando e o blog vai ficar em hiatus, até Deus sabe quando.
portanto, até a volta, amiguinhos. paz pra vocês.

e o show do Radiohead dia 20 vai ser foda.

beijos,
da artista-vestibulanda-desiludida, Lis.

Nenhum comentário: